Ok, falando sério agora. Este já é meu terceiro Mac; tive um iBook G4 ainda no tempo dos PowerPC, estava com um Mac Mini Intel, e agora este iMac. A decisão pelo iMac foi mais ou menos racional: o Mac Mini estava precisando de um monitor maior e um disco Firewire externo. Acabou ficando mais atrativo trocar de computador. Claro que houve aí um componente de impulso nerd-consumista.
O hardware Apple é como sempre aquela coisa linda e com todos os detalhes muito bem pensados. Como eu pretendia comprar um monitor 22", estava levemente temeroso do iMac 20" não ser grande o suficiente. Mas que nada, a tela de 20" já é grande o suficiente para me dar vertigem. Deve ser porque eu estava até agora com uma tela de 15".
O iMac vem com teclado e mouse. O Mighty Mouse é ergonomicamente ok mas praticamente descartável, devido ao wheel estragar logo com a captação de sujeira -- que seja infinito enquanto dure. O teclado é o modelo mais novo, apelidado de "chiclete" pelos detratores, com as teclas separadas. Achei que não ia gostar dele, mas no cômputo geral ele é melhor que o teclado Mac anterior, por conta do curso das teclas, bem curtinho, como teclas de notebook. Talvez fosse perfeito se as teclas ocupassem toda a área disponível ao invés de serem separadas (o teclado do iBook era assim: curso curto e teclas grandes). Outro ponto positivo do novo teclado é o layout mais enxuto, com menos teclas (e.g. os controles de volume de som perderam as teclas dedicadas). Outra novidade bem-vinda mas quase óbvia: o novo teclado é um hub USB 2.0.
Pela primeira vez usei o Assistente de Migração, só pra ver se funcionava. Funcionou até demais: muita coisa que eu nem queria veio junto, como o gerenciador de boot rEFIt. O resultado é que o EFI mostrou a temida pasta com um ponto de interrogação no boot seguinte. Até determinar e consetar e solucionar o problema, deu tempo de achar dois workarounds para dar boot: um usando o disco de instalação, o outro com um CD de imagem do próprio rEFIt. De resto foi perfeito, até aplicativos como o VMWare Fusion que certamente instalam coisas no coração do sistema funcionaram sem precisar de reinstalação. E o Mac Mini rodava Tiger; o iMac é Leopard.
Depois que a Apple migrou para Intel, acabou aquela mística estúpida que os usuários Mac cultivavam em torno do Power PC. Mas é certo que o Mac ainda tem "algo mais", e agora está claro que este algo mais é o Mac OS X. É impossível resistir à sensação de que o OSX é o "Linux feito do jeito certo". Primeiro, por ter herdado do BSD o que ele tem de bom. Segundo, por criar APIs padrão (e de boa qualidade) para os componentes extra-kernel. (Dei um exemplo no post anterior, sobre a facilidade de se desenvolver widgets.). Sem precisar criar uma nova linguagem só para isso. Terceiro, por ter conseguido "matar a charada" do relacionamento entre uma empresa a comunidade de software livre. Quarto, por ensinar como é que se faz uma transição de arquitetura sem quebrar os usuários (e sem impingir uma máquina virtual abstrata, como o .NET ). Quinto, por ter um design e "human interface guidelines" (HDI) realmente boas, a ponto de serem contagiantes.
Explico o "contagiantes". É interessante notar como quase todos os aplicativos portados para OSX fazem um grande esforço para apresentar um design legal e congruente com o resto do ambiente, bem como seguir a HID. Aplicativos que no Linux e no Windows têm aquela aparência "so-so", ou são difíceis de usar, viram um pacote bonito e fácil de usar na versão OS X. Dois exemplos: o Adium, cujo "engine" é herdado do Gaim; e o OpenVPN, empacotado pelo TunnelBrick no OSX (o TunnelBrick traz no bojo até um driver de kernel, já que o OSX não tem TUN/TAP). No Linux, distrbuir algo como o TunnelBrick seria quase impossível pois não há ABI estável para drivers de kernel, é preciso compilar in loco.
É visível também que a Apple preocupa-se em agradar os desenvolvedores tanto quanto preocupa-se com o design. Documentação excelente, exemplos de código, boas APIs, suporte à maioria dos padrões, feramentas e linguagens do mundo do software livre, e a alma UNIX BSD isso tornam o OSX o sonho de todo nerd. Não é à toa que muita, muita gente está adotando o OSX como plataforma primária de desenvolvimento -- com uma ajudinha do VMWare Fusion, ou do Virtualbox (finalmente apareceu um software livre de VM).
O chato de tudo isso é a constatação insofismável de quão patéticas são quase todas as demais plataformas e sistemas operacionais. E sem necessidade de sê-lo, já que boa parte dos padrões adotados pelo OSX é público, gratuito e estava por aí há muito tempo -- como diria Raul Seixas, "tá tudo pronto aqui é só vir pegar". Pior que isso: muitas dessas plataformas-patetas são mantidas mediante massivas quantidades de dinheiro, o que subtrai-lhes a surrada desculpa de carência de recursos.

3 comentários:
Ótimo post e realmente deve ser uma Caixona da felicidade. Eu tenho um Macbook e estou me planejando para adquirir um iMac em breve. Realmente a Apple dá um Show. =D
Caramba, deu até vontade de 'testar' o OSX... Vamos ver se quando a faculdade acabar não faço isso.
Parabéns pelo post.
AEEE Elvis!
Concordo plenamente, to a 2 anos com um macbookpro!
Já chegou a ver as especificações do darwin? eles criaram uma camada orientada a objeto no kernel do darwin bem interessante.
Outra coisa é que é a *mesma* coisa pro iPhone, já comprou um ou a Nokia te proibiu? ;oP
Eu to programando pro cocoa touch, tenho o certificado deles pra assinar os apps e tudo mais, é o que há, se a API dos caras não faz o que você quer, é só fazer na unha e usar as syscalls do darwin :D
Uma delícia! Felicitações pra você!
Abraços
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