2005. Íamos quase todo dia a uma cafeteria, beber um bom café e travar a batalha verbal capitalismo X comunismo. Na hora de ir embora, tínhamos naturalmente de pagar a conta, e era sempre uma confusão: procurar notas pequenas e moedas, arredondar a conta para aqueles sem troco, vigiar os "chupins" que tentavam dar a volta na conta (por esporte, não por safadeza, naturalmente :)
Já que íamos sempre no mesmo lugar, pedimos inúmeras vezes para abrirem uma conta, de modo que não precisássemos catar moedas todo dia. Sugerimos inclusive um esquema "pré-pago", para evitar temores de inadimplência. Não eramos os únicos habituées, outras pessoas certamente iam aderir ao esquema. Infelizmente, passaram 3 anos e eles ainda não aceitaram nossa proposta, provavelmente porque o sistema da loja era padronizado para a franquia e ainda não implementava esse recurso.
2008. Nos últimos dias, devido à correria de criar um bebê, temos comprado almoço num pequeno restaurante próximo, comida caseira e barata, cujo único aparato computadorizado é a máquina de cartão de crédito.
Depois de aparecer quase todo dia por 2 semanas, a atendente sugeriu abríssemos uma conta, para pagar apenas no fim de cada semana, evitando passar o cartão todo santo dia. Sugeri pagar um valor grande antecipadamente (não gosto de dever nada a ninguém), o que foi prontamente aceito. Ela abriu o caderno, colocou meu nome lá, e o esquema estava montado.
EPx professional blog and repository for braindumps
2008/09/25
2008/09/20
Guerras religiosas e versões do UNIX
Desde há muito tempo costumo associar o desenvolvimento do UNIX e do Linux com o das religiões. Acho que daria para escrever um livro inteiro sobre o assunto. Assim, vou me restringir a uma comparação simples, para ilustrar a idéia.
Existe uma relação de amor e ódio entre Linux e BSD, assim como existe uma relação semelhante entre cristianismo e judaísmo. Ao mesmo tempo que o Linux está "fugindo" o tempo todo do status quo do BSD, por outro lado é um descendente direto dele -- um paradoxo insolúvel. E, quando alguma iniciativa do Linux encontra um beco sem saída, não raro rende-se ao modus operandi do BSD (como aconteceu nas implementações do IPv6 e no IPSEC).
As próprias respectivas comunidades imitam muito bem as respectivas religiões. O povo do Linux é conhecido, aberto, promíscuo, admite qualquer um, tem ânsia em conquistar mais e mais adeptos. A comunidade do BSD, embora tecnicamente aberta a qualquer um, é fechada, desconhecida, avessa a novos membros; muito do que o público "sabe" dela é temperada de mitos e lendas. Assim como os cristãos, o Linux não tem vergonha especial de ser fragmentado em inúmeras distribuições, até vê uma certa vantagem nisso. O BSD preocupa-se em passar uma impressão de unidade, assim como o judaísmo -- embora isso esteja longe da verdade (só no tempo de Cristo, havia fariseus, saduceus, essênios e zelotes).
A "psicologia de comunidade" talvez tenha a ver com pressões externas. O Linux sempre cresceu à sombra de um mundo livre. O BSD sofreu perseguição severa por conta do processo da Bell Labs.
As pessoas pensam que os judeus dominam o mundo. Isso pode ser verdade, mas essa dominação ocorre de uma forma bem mais sutil e mais ubíqua do que se supõe: a lei e a moral do mundo ocidental são completamente fundadas no Antigo Testamento, a começar pelos Dez Mandamentos que são a pedra-de-canto de qualquer sistema legal moderno. É curioso notar, todavia, que a popularização dessa lei/moral é largamente devida aos cristãos.
Da mesma forma, o BSD também "domina", mas não em número de servidores; ele domina através da API, a começar pela API BSD/Sockets, que é utilizada até mesmo no Windows. A API do BSD influencia todas as outras, de formas incrivelmente sutis. Mas essa influência deve muito à popularidade do Linux. Sem essa popularidade e sem a quantidade de código livre escrito para BSD/Sockets, talvez o Windows resolvesse criar uma nova API de rede do zero.
E é bom que essa dominação exista. Do contrário, estaríamos construíndo pirâmides inúteis para os mortos, fazendo sacrifícios humanos em cada esquina e (Deus me livre!) usando aquela API horrível do Unix System V para redes, a XTI/LTI. Ou algo pior ainda bolado pela Microsoft.
Existe uma relação de amor e ódio entre Linux e BSD, assim como existe uma relação semelhante entre cristianismo e judaísmo. Ao mesmo tempo que o Linux está "fugindo" o tempo todo do status quo do BSD, por outro lado é um descendente direto dele -- um paradoxo insolúvel. E, quando alguma iniciativa do Linux encontra um beco sem saída, não raro rende-se ao modus operandi do BSD (como aconteceu nas implementações do IPv6 e no IPSEC).
As próprias respectivas comunidades imitam muito bem as respectivas religiões. O povo do Linux é conhecido, aberto, promíscuo, admite qualquer um, tem ânsia em conquistar mais e mais adeptos. A comunidade do BSD, embora tecnicamente aberta a qualquer um, é fechada, desconhecida, avessa a novos membros; muito do que o público "sabe" dela é temperada de mitos e lendas. Assim como os cristãos, o Linux não tem vergonha especial de ser fragmentado em inúmeras distribuições, até vê uma certa vantagem nisso. O BSD preocupa-se em passar uma impressão de unidade, assim como o judaísmo -- embora isso esteja longe da verdade (só no tempo de Cristo, havia fariseus, saduceus, essênios e zelotes).
A "psicologia de comunidade" talvez tenha a ver com pressões externas. O Linux sempre cresceu à sombra de um mundo livre. O BSD sofreu perseguição severa por conta do processo da Bell Labs.
As pessoas pensam que os judeus dominam o mundo. Isso pode ser verdade, mas essa dominação ocorre de uma forma bem mais sutil e mais ubíqua do que se supõe: a lei e a moral do mundo ocidental são completamente fundadas no Antigo Testamento, a começar pelos Dez Mandamentos que são a pedra-de-canto de qualquer sistema legal moderno. É curioso notar, todavia, que a popularização dessa lei/moral é largamente devida aos cristãos.
Da mesma forma, o BSD também "domina", mas não em número de servidores; ele domina através da API, a começar pela API BSD/Sockets, que é utilizada até mesmo no Windows. A API do BSD influencia todas as outras, de formas incrivelmente sutis. Mas essa influência deve muito à popularidade do Linux. Sem essa popularidade e sem a quantidade de código livre escrito para BSD/Sockets, talvez o Windows resolvesse criar uma nova API de rede do zero.
E é bom que essa dominação exista. Do contrário, estaríamos construíndo pirâmides inúteis para os mortos, fazendo sacrifícios humanos em cada esquina e (Deus me livre!) usando aquela API horrível do Unix System V para redes, a XTI/LTI. Ou algo pior ainda bolado pela Microsoft.
Assinar:
Postagens (Atom)
